domingo, 8 de janeiro de 2012

O Poema em mim - UM DIA

UM DIA
Adriana Menconça



Um dia
Quem sabe...
More na rua
Coma migalhas
Sorria chorando
Devore sem fome
Sofra sem dor...
ou
Um dia
Quem sabe...
Sua casa me acolha
Fartarei-me em sua mesa
Chorarei sorrindo
Saciarei minha fome
Sofrerei com calor...

Um dia
Quem sabe...
eu volte a amar
Um dia quem sabe
eu volte a sonhar
e
Um dia
Quem sabe...
eu volte a ser
Um dia
Quem sabe
eu volte a ter

“VOCÊ”

O Poema em mim - ESSA DOR


ESSA DOR



Adriana Mendonça


Essa dor me rasga e consome
É uma dor quente
Que dá na gente
E nos faz sofrer

Dor infinita
Que traz agonia
Em uma rotina
Que não termina
E me faz reviver

Contos
Poesias
Graças
Manias
Fantasias...

Que moram em mim
E saciam a fome
De amar assim...

O Poema em mim - O AMANTE

O AMANTE
Adriana Mendonça

Meu corpo no seu corpo, treme
Minha mão na sua mão, consola
Meu sorriso em seu sorriso, geme
Meu calor no seu calor, sufoca

Meu sussurrar conforta...
Seu sussurrar suporta...
Vontades...
Saudades...
Liberdades....

Busco em seu corpo os meus anseios
Moldo em minhas mãos e tateio
Devoro em sua boca seus gorjeios
Sinto em sua pele o fogo do desejo

Amo seu corpo e alucino
Passeio em seu gosto
Sufoco-me em seu cheiro
Sacio-me em seu beijo

Sinto seu corpo no meu...
Dentro
Fora
Consumindo
Explodindo

Entre delírios
O amante em cor
No desejo da carne
Agonizante
Empolgante

Que me faz sonhar
Sentir
E enfim
Transbordar
De amor....

O Poema em mim - CRIAÇAO

CRIAÇÃO
Adriana Mendonça


As palavras dançam em minha mente
Vejo...sinto...imagino...
Entro em transe
Deliro

Sonhos...
Formas...
Imagens....
Contrastes...

As letras embaralham
Voam em pensamentos...
Dançam em meus olhos...
Saem dos meus dedos...
Marcam o papel...

Pisco...
Respiro...
Saboreio...

O dom de sentir...
A forma de permitir

Que as palavras venham...
Em formas desconexas
Que formam emoções
Que transbordam da alma...
E colorem as razões....

Que poder é esse
De sentir no âmago do ser....
E exprimir essas razões e emoções
Em palavras jogadas
Caóticas...
Livres...
Firmes...
Reais...

Que formam enfim
Prosas...
Poesias...
Canções...
Inspirações...

Em mim....

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O Poema em mim - ABSTRATO

ABSTRATO
Adriana Mendonça


Meu corpo
Minha mente
Minhas mãos

Envolve
Sonha
E sente

Choca
Alucina
Tão quente

Sacia
Acalma
E alivia

A forma
No sonho
Compondo

No Toque
Da Alegria
Macia

A Alma
Na loucura
Fortifica

O sentir
Do desejo
Acaricia

O corpo
Na mente
As mãos

Tocam
Sonham
Moldam

O Abstrato
Da Tela
Vazia....

Poemas que eu gosto - MÃE DO CATIVO

Mãe do Cativo
Castro Alves.

Ó mãe do cativo! que alegre balanças
A rede que ataste nos galhos da selva!
Melhor tu farias se à pobre Criança
Cavasses a cova por baixo da relva.

Ó mãe do cativo! que fias à noite
As roupas do filho na choça da palha!
Melhor tu farias se ao pobre pequeno
Tecesses o pano da branca mortalha.

Misérrima! E ensinas ao triste menino
Que existem virtudes e crimes no mundo
E ensinas ao filho que seja brioso,
Que evite dos vícios o abismo profundo ...

E louca, sacodes nesta alma, inda em trevas,
O raio da esperança... Cruel ironia!
E ao pássaro mandas voar no infinito,
Enquanto que o prende cadeia sombria! ...

II

Ó Mãe! não despertes esta alma que dorme,
Com o verbo sublime do Mártir da Cruz!
O pobre que rola no abismo sem termo
Pra que há de sondá-lo... Que morra sem luz.

Não vês no futuro seu negro fadário,
Ó cega divina que cegas de amor?!
Ensina a teu filho - desonra, misérias,
A vida nos crimes - a morte na dor.

Que seja covarde... que marche encurvado...
Que de homem se torne sombrio reptíl.
Nem core de pejo, nem trema de raiva
Se a face lhe cortam com o látego vil.

Arranca-o do leito... seu corpo habitue-se
Ao frio das noites, aos raios do sol.
Na vida - só cabe-lhe a tanga rasgada!
Na morte - só cabe-lhe o roto lençol.

Ensina-o que morda... mas pérfido oculte-se
Bem como a serpente por baixo da chã
Que impávido veja seus pais desonrados,
Que veja sorrindo mancharem-lhe a irmã.

Ensina-lhe as dores de um fero trabalho...
Trabalho que pagam com pútrido pão.
Depois que os amigos açoite no tronco...
Depois que adormeça colo sono de um cão.

Criança - não trema dos transes de um mártir!
Mancebo - não sonhe delírios de amor!
Marido - que a esposa conduza sorrindo
Ao leito devasso do próprio senhor! ...

São estes os cantos que deves na terra
Ao mísero escravo somente ensinar.
Ó Mãe que balanças a rede selvagem
Que ataste nos troncos do vasto palmar.

III

Ó Mãe do cativo, que fias à noite
À luz da candeia na choça de palha!
Embala teu filho com essas cantigas...
Ou tece-lhe o pano da branca mortalha.

Poemas que eu gosto - SABER VIVER

Saber Viver
Cora Coralina


Não sei… Se a vida é curta
Ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.É o que faz com que ela
Não seja nem curta,
Nem longa demais,
Mas que seja intensa,
Verdadeira, pura… Enquanto durar